Tradutor

01/11/2019

O Terceiro Mestre


(Edison Gil)

O Rei precisava com urgência de um novo conselheiro, pois o atual fora morto por uma espada em batalha, então pediu que trouxessem três grandes Mestres da sabedoria em sua sala para serem avaliados:

– Um de vocês será o meu novo conselheiro! – Disse o Rei. – No entanto, preciso descobrir qual de vocês é o mais sábio. Farei isso designando-lhes uma tarefa, aquele que apresentar o melhor resultado se sentará ao meu lado no trono. 

Em seguida, levantou-se e disse em voz alta:

– Eis a tarefa; quero que contem quantas pedras há no fundo do lago do castelo! Aquele que me trouxer a resposta correta será o novo conselheiro, e se sentará ao meu lado no trono.

Depois ordenou que os retirassem da sala. O primeiro Mestre então foi levado ao lago do castelo, onde passou a noite. 

No raiar da primeira manhã o Rei chegou e perguntou à sentinela:

– O que esse fez para contar as pedras?
– Mergulhou diversas vezes, majestade, e colocou-as na beira, assim como pode observar. 

O Rei então virou-se e perguntou ao primeiro Mestre:

– Quantas pedras há no lago?
– Majestade, preciso de mais tempo! – Implorou.  
– O seu tempo acabou! – Disse o Rei. O Mestre tentou segui-lo para rogar por mais tempo, mas foi impedido pelas lanças dos guardas que cruzaram o seu caminho. 

O sol se pôs, e o segundo Mestre foi levado ao lago do castelo. Esse, imediatamente, mergulhou e passou a retirar as pedras da água para conta-las. E assim fez a noite inteira.

No raiar da segunda manhã o Rei chegou e perguntou à sentinela:

– O que esse fez para contar as pedras?
– Mergulhou diversas vezes, majestade, e as arremessou para fora, assim como pode observar. 

O Rei então virou-se e perguntou ao segundo Mestre:

– Quantas pedras há no lago?
– Majestade, aproximadamente 3 mil pedras! Errado! – Disse o Rei. O Mestre, insatisfeito, implorou pela resposta, mas ele o ignorou e ordenou que o afastassem. 

No final da tarde, o terceiro Mestre foi levado ao lago do castelo, entretanto, esse ao invés de entrar na água, sentou-se numa enorme pedra quadrada, que estava próxima à beira, e começou a meditar... após algumas horas, deitou-se sobre ela e dormiu.

No raiar da terceira manhã, o Rei e os seus guardas ficaram admirados em encontrá-lo dormindo:

– O que esse fez para contar as pedras? – Quis saber o Rei.
– Passou a noite inteira dormindo, majestade, assim como pode observar. – Respondeu a sentinela. 

O Rei então ordenou que o acordasse! E perguntou ao terceiro Mestre:

– Quantas pedras há no lago?
– Onze mil pedras, majestade! – Respondeu bocejando e tentando abrir os olhos.
– Como sabe que há essa quantia se nem molhou os pés?
– Como pode aplicar-me uma tarefa se nem sabe a resposta?
– Sábio é esse homem! – Gritou o Rei – Prepara o trono e traga-o em minha presença!


FIM

26/10/2019

I Continue to be Crazy

(Edison Gil)

Com a ponta da caneta, 
no escuro, entre cometas, 
eu traduzo o universo! 
Escrevo coisas do planeta,  
oh, baby! 
Os meus versos.

I continue to be Crazy!

Sob as linhas da procura
eu construo a armadura,
o traje da loucura! 
A nossa fonte e estrutura, 
oh, baby!
Não tem cura.

I continue to be Crazy!

O mundo está manchado 
com o sangue do estado,
é a guerra do seu lado! 
A fome, a peste e o pecado... 
oh, baby!
O globo é quadrado.

I continue to be Crazy!

A mais sábia mente burra 
assola a terra, em breve a lua!
Encerra almas puras, 
faz-nos presos em qualquer rua, 
oh, baby!
A verdade é dura.

I continue to be Crazy!

Eu não escrevo do amor, 
o meu rabisco é diferente,
infeliz, o mundo é dor! 
É caos, ninguém entende,
oh, baby!
Explique por favor.

I continue to be Crazy!